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A habitação no grande Porto
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A habitação no grande Porto : uma perspectiva geográfica da evolução do mercado e da qualidade habitacional desde finais do séc. XIX até ao final do milénio
Fátima Loureiro de Matos
ResumoO estudo que apresentamos pretende perceber as mudanças das condições de habitação no Grande Porto, no âmbito do processo de expansão deste aglomerado urbano. É num quadro de grandes transformações metropolitanas e de inter-relação entre concelhos, sem contudo perder de vista as suas identidades e características próprias, que se procura integrar este trabalho. A primeira parte deste estudo é dedicada ao enquadramento teórico em que procuramos articular as diferentes abordagens da questão do alojamento com o processo de expansão da cidade, para depois analisarmos os principais bloqueios estruturais da produção habitacional e, finalmente, procuramos avaliar o significado da qualidade habitacional no contexto da qualidade e sustentabilidade do ambiente urbano. A segunda parte detém-se sobre as condições habitacionais da população do Grande Porto, desde a segunda metade do séc. XIX até aos anos 90. Analisam-se as mudanças ocorridas, com impacto, não só no crescimento desta aglomeração, mas também nas alterações do padrão de distribuição da população e da habitação e nas condições habitacionais salientando-se, a cada momento, o papel dos vários agentes que intervêm no mercado habitacional e que são responsáveis por essas alterações. Na terceira parte, a partir de um estudo de caso, propomos uma forma de avaliação da qualidade habitacional. Conclui-se este estudo sublinhando que as condições habitacionais das famílias melhoraram substancialmente, quer relativamente ao acesso à habitação e sua propriedade, quer quanto à qualidade dos alojamentos, apesar de ainda se terem detectado algumas situações de carência. Vimos que em muitos dos bairros analisados existe um conjunto de situações que colocam em causa a sua qualidade residencial e que conferem, a esses bairros, uma imagem de degradação e abandono e de estigmatização social e espacial, apesar da análise feita apontar para um balanço que podemos considerar, mesmo assim, positivo. Apesar deste balanço ser positivo, pensamos, contudo, que ainda estamos muito longe de uma efectiva qualidade de vida urbana e de um ambiente sustentável, onde a coesão territorial e social são fundamentais. Consideramos, por isso, ser necessário um conjunto de medidas que transforme o conceito de Habitação de Custos Controlados (HCC) em Habitação com Qualidade Controlada (HQC). O previsível reforço das condições de competitividade nacional e internacional do Grande Porto neste novo milénio pressupõe, naturalmente, o reforço da coesão territorial e sociocultural desta área ou, a sua transformação num espaço sustentável e saudável, que consideramos não ser, de todo, uma utopia, mas sim um grande desafio.
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Data da última atualização: 2013-05-18
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