Contents
Bibliographic reference
Publisher's data
Comments
Search
Homepage
Publications
Periodicals / Journals
Via Spiritus : Revista de História da Espiritualidade e do Sentimento Religioso
Resume
O bom samaritano vai ao teatro
Maria Idalina Resina Rodrigues
File (.pdf)
ResumoO trabalho centra-se no estudo de algumas apropriações dramáticas da parábola do Bom Samaritano por autores peninsulares dos séculos XVI e XVII, examinadas não apenas, nem talvez principalmente, a partir de um cotejo com a narrativa de São Lucas, 10, 25-38, mas sobretudo tendo em conta determinadas glosas medievais que dela se fizeram. Por isso se inicia a exposição com referências comentadas a textos de Santo Agostinho (Questiones evangeliorum, liber secundus), de Beda (In Lucam Evangelium expositio) e de Walafrid Strabo (Glossa Ordinaria), procurando distinguir o que neles é comum (o corpo fundamental) do que, acidental, mas intencionalmente, muda. Segue-se uma apreciação da Obra da Geração Humana, de anónimo quinhentista português, que da, parábola, se ocupa em dois momentos: na introdução em moldura de teatro no teatro, e, na parte final, quando o protagonista representando Adão/Geração humana, em situação de viajante entre Jerusalém e Jericó, é assaltado por diabos tranformados em ladrões, sem que as sua companheiras, Justiça e Razão, lhe possam valer, fica ferido e, depois de ter solicitado ajuda a um Sacerdote e a um Levita, é finalmente socorrido por Cristo/Samaritano que o conduz à Igreja/Estalagem onde tem o apoio de São Gregório, São Jerónimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Na travessia por El Peregrino, de José de Valdivielso, numa idêntica viagem, mas, desta vez, em trama argumental mais complexa, encontramos uma personagem central parecida, também socorrida, antes do remate, por um Cristo/Samaritano, sem, no entanto, que Sacerdote e Levita tenham sido ouvidos, mas apenas comentados, na sua impossibilidade da prestação de assistência, por uma outra e muito significativa personagem, a Verdade que sempre está presente e actuante. Salteadores são um Luzbel despeitado e enraivecido e os vícios personificados que o servem, entre os quais, o Deleite tem lugar de destaque. Na Igreja/Estalagem estarão agora São Pedro, São João Evangelista e Santiago, bem lembrado como padroeiro de Castela A letra da parábola será repetida numa espécie de apoteose cantada e bailada, como era comum no teatro daquele tempo, entre canções, um romancilho e algumas redondilhas. Finalmente, em Tu Prójimo como a Tí, de Calderón de la Barca, com grande sabedoria poética e capacidade estruturadora, conhece a parábola diversas formulações que oscilam entre uma espécie de sonhada visionação, a recapitulação dramaticamente transfigurada da narrativa evangélica e a colocação de Sacerdote e Levita como antecedentes de Cristo/Samaritano, mais tarde presente na Eucaristia. O principal inimigo do Homem viator é agora a Culpa, com fortes e belíssimas tiradas explicativas do próprio texto de São Lucas, e, a seu mando, estão, disponíveis e serviçais, o Mundo, o Demónio, a Lascívia e outras figurações do Mal., em cenários que se vão sucedendo, com crescente aparato. Conclui-se o trabalho com uma brevíssima referência à significativa alegoria da viagem/dois caminhos e com a chamada de atenção para um actual comentário à parábola que mostra o interesse da sua recapitulação numa época infelizmente desumanizada como a nossa.
Voltar
Last Update: 2013-06-17
DestaForma, Design e Multimédia
Biblioteca Central © 2006 - All the rights - FLUP